Biblioteca Nacional é hackeada: instituição sofre mesmo ataque que o STJ

Biblioteca Nacional é hackeada nos mesmos moldes que o site do Superior Tribunal de Justiça no ano passado

No dia 15 de abril, a Biblioteca Nacional foi hackeada. A instituição que fica no Rio de Janeiro, foi alvo do mesmo tipo de ataque hacker que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em 2020. De acordo com a assessoria de imprensada instituição de cultura, os servidores da BN foram invadidos duas vezes.

Ainda no dia 15, a biblioteca disse à reportagem do jornal O Globo que se tratava do mesmo grupo de hackers que atingiu o STJ.

Biblioteca Nacional é hackeada nos mesmos moldes que STJ

Para proteger os sistemas, todos os serviços online mantidos pela Fundação Biblioteca Nacional foram paralisados. Além disso, nem os e-mails dos servidores estão funcionando.

Segundo a assessoria, o ataque começou no dia 11, por volta das 18h. No dia seguinte, às 10h, a equipe da instituição decidiu desligar preventivamente todos os servidores e empregar todos os esforços para resolver a situação.

No entanto, ainda não há previsão de retorno, pois “muitos dados que estão sendo varridos e analisados”. Mas, se voltarem ao ar, “ficam expostos a novas infestações, como aconteceu na manhã de terça-feira”, quando o acesso foi restabelecido.

Documentos atingidos

Por outro lado, poucos documentos da BN foram atingidos e “é provável que tudo seja recuperado”. A instituição afirmou ainda que “o estrago é mínimo, e poderá até ser zero, se obtivermos sucesso nos esforços”.

Equipes do Rio de Janeiro e Brasília estão trabalhando para que os serviços digitais da Biblioteca Nacional voltem a funcionar. Além disso, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República foi notificado para dar início às investigações. A assessoria também afirma que a BN estuda quais medidas judiciais tomar e registrou boletim de ocorrência.

Tesouros digitalizados

Os tesouros da Biblioteca Nacional já foram digitalizados, entre eles está a Hemeroteca Digital. Esta reúne edições digitalizadas das várias publicações (até de períodos raros, de séculos atrás). Além dos do acervo do Projeto Resgate Barão do Rio Branco, capitaneado pelo Ministério das Relações Exteriores, e os Documentos Históricos.

O Projeto Resgate digitalizou documentos referentes ao Brasil Colônia depositados no Arquivo Histórico Ultramarino português. Já os Documentos Históricos é uma coleção de publicações editadas pela BN nas quais foram transcritas fontes coloniais.

Porém, a paralisação dos serviços desespera pesquisadores do Brasil e do exterior, que dependem de documentos disponíveis no site da instituição para trabalhar.

De acordo com Marcos Arthur Viana, doutorando em História na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Brasil Colônia:

“Nós, pesquisadores, estamos sofrendo prejuízos porque outras instituições de pesquisa, como bibliotecas, museus e arquivos históricos estaduais, estão fechadas. A BN possui um grande acervo digitalizado que ajudava a amenizar o problema causado pela pandemia. Além disso, há o dano a todos os cidadãos privados do acesso ao site da BN e das fontes de informação que a instituição fornece ao público.”

Acesso de outras pessoas

Além disso, por meio do Projeto Resgate muitas pessoas conseguem gerar sua árvore genealógica. É o caso do gerente de projetos de TI e genealogista amador santista Rodrigo Bamondes. Graças à Hemeroteca Digital, ele conseguiu incluir mais de 700 pessoas em sua árvore genealógica e encontrou parentes distantes no Rio Grande do Sul e no Espírito Santo.

O gerente de TI rastreou seus antepassados (portugueses, espanhóis e paraenses) até a Batalha dos Guararapes, que opôs portugueses e holandeses em Pernambuco, entre 1648 e 1649. Um dos antepassados do Bamondes lutou ao lado dos portugueses. Ele também conseguiu confirmar a participação de seus parentes em outros conflitos, como a Cabanagem (1835-1840), a Guerra do Paraguai (1864-1870) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Fundação Biblioteca Nacional

A Fundação Biblioteca Nacional é presidida desde 2019 por Rafael Nogueira, bacharel em filosofia e direito, pós-graduado em educação.

Entretanto, servidores da BN protestaram contra a nomeação de Nogueira e questionaram suas qualificações técnicas. Para ocupar presidência da instituição, é preciso ter mestrado, qualificação buscada por muitos dos pesquisadores que aguardam desesperados o retorno dos serviços digitais da Fundação Biblioteca Nacional.

Ele foi indicado pelo então secretário especial da Cultura Roberto Alvim, demitido, em janeiro de 2020, depois de plagiar um discurso nazista.

*Foto: Divulgação