Brasil pode participar de novo arranjo de globalização

A pandemia gerada pela Covid-19 trouxe diversos problemas, entre os quais, a crise sanitária em quase o mundo todo, crise econômica e política generalizada. E também causou uma ruptura na geopolítica e economia mundial. Isso tudo pode acarretar em um novo arranjo de globalização.

Segundo alguns especialistas, tal ruptura pode resultar no fim da globalização, já que muitos governos estão buscando se afastar da de negócios com a China.

Uma mudança no antigo paradigma geopolítico e um realinhamento da estrutura de comércio internacional pelo mundo pode fazer com que as cadeias globais não voltem para dentro necessariamente, e sim se diversifiquem em países alternativos. E com um mundo menos dependente de um único país passa a produzir uma parcela maior de bens que são demandados pelo mundo todo.

Novo arranjo de globalização

Isso resulta em um processo em que outros países em desenvolvimento podem se beneficiar com distanciamento da China. No caso: o México, Vietnã, Índia e até mesmo o Brasil, passando a atrair investimento estrangeiro direto por intermediário.

No entanto, com a alta da crise econômica nesses países, a elevação do nível de desemprego, os trabalhadores, em grande parcela, aceitam receber salários mais baixos do que os pagos anteriormente. Sem contar o choque de ausência de demanda, como pontua o sócio e CEO da consultoria RK Partners, Ricardo K.

Porém, é preciso que essas possíveis localidades possuam algumas condições, na intenção dos players internacionais consigam fazer seus investimentos.

Brasil, EUA e China

Em relação ao Brasil, principalmente, mesmo com os conflitos entre Estados Unidos e China, ainda sim não é resulta em um impedimento das exportações de soja dos norte-americanos, que depende do recrudescimento das tensões entre os dois países. Sendo assim, surge aí uma oportunidade para que os produtores de soja brasileiros vendam à China.

No caso do investimento direto este pode ser oriundo de países como Japão, membros da União Europeia, EUA e Reino Unido. Mas para isso, o Brasil necessita, depois da retomada de negócios ou, até mesmo, durante a pandemia, colocar em prática o restante das reformas modernizantes para gerar mais segurança institucional ao país, de maneira a atrair os investimentos e fazer com que o Brasil se beneficie deste cenário desafiador.

Investimento direto do novo arranjo de globalização

Quando um país está em busca de realizar investimento direto em outro, ele busca por estes três fatores:

Mercado: tamanho do mercado, crescimento, acesso a mercados regionais, estrutura e preferências de consumidores que façam sentido para a cadeia de investimento.

Recursos e ou ativos: matéria-prima, mão-de-obra especializada, mão-de-obra de baixo custo, ativos tecnológicos, infraestrutura.

Eficiência: participação de acordos de integração regional com empresas locais; insumos de baixo custo como transporte, energia, etc; e mão-de-obra.

Em contrapartida, o país hospedeiro, que é aquele que receberá os recursos necessita de alguns determinantes que o farão se tornar em um possível destino de investimento:

Estrutura para política de investimento estrangeiro direto: estabilidade política e econômica local.

Políticas diretas: regras para o ingresso de operações de tratamento de filiais, política sobre o funcionamento e estrutura dos mercados, acordos internacionais, políticas de privatização, política comercial (barreiras tarifárias e não tarifárias), política tributária.

Facilidade para empresas (ambiente de negócios): promoção de investimento, incentivos para o investimento direto, despesas de embaraço, facilidades sociais (escolas bilíngues, qualidade de vida, criminalidade, etc.), serviços (consultorias, agências de pesquisa) pró-investimento.

Portanto, o Brasil necessita criar um bom ambiente de negócios para que se transforme em um bom hospedeiro da possível massa de investimentos. Em seguida, podem ser direcionados a países em desenvolvimento nesse novo arranjo de globalização.

Por consequência, a melhora do ambiente de negócios, redução de questões burocráticas, reforma tributária e fim dos embates de ordem política são fundamentais para o Brasil se beneficie da conjuntura geopolítica que se traça no horizonte.

Fonte: Site Nova Futura

*Foto: Divulgação