Cinema São Luiz foca na cena independente pernambucana

A famosa sala de rua do Cinema São Luiz data de 1952 e atualmente tem sido um espaço muito importante para divulgar as produções nacionais, principalmente as de Pernambuco e outros estados do Norte e Nordeste do país

O Cinema São Luiz, situado no bairro da Boa Vista, no centro do Recife, se tornou palco dos filmes nacionais. Mas, ao mesmo tempo, é um fato curioso um cinema de rua, com uma sala de 1952, atrair um público acima da média nos últimos meses. Quem afirma isso é o programador do espaço, Geraldo Pinho, que ainda diz que as sessões exibidas chegam a causar filas antes para conseguirem comprar ingressos.

Sobre esse fenômeno, o diretor Kleber Mendonça Filho, dos filmes premiados “Aquarius” e “Bacurau” fez uma postagem em duas redes sociais:

“Uma sala de 1952, com mil lugares, na rua, atraindo públicos incomuns para filmes feitos na própria cidade, e num momento destrutivo para a Cultura. Isso não é normal e deve ser protegido”.

Cinema São Luiz

Para Geraldo Pinho, este aumento de público na sala do Cinema São Luiz é uma tendência que aconteceu de modo planejado. No entanto, ele admite que seu alcance fora acima do esperado e afirmou ao jornal Folha PE:

“Em maio, eu tinha conhecimento de que iam entrar basicamente seis filmes pernambucanos em cartaz, o que é algo muito importante dentro desse processo de desmonte, dessa tentativa de acabar com o segmento da Cultura. Mas os meses de junho e julho acabaram tendo um público bem acima da média obtida desde a retomada do cinema, em 2010”.

Em termos de indicativos, isso significa que a cada sessão, estiveram na sala aproximadamente cem pessoas. Pinho ressalta que para muitos, este número possa parecer pouco, mas para um cinema de rua que só conta com uma programação totalmente independente e de arte, esse apontamento é muito.

O programador deixa claro que a sala do Cinema São Luiz só exibe filmes nacionais, principalmente do Norte e Nordeste, que tem apresentado uma produção muito e bastante premiada em festivais mundo afora. No espaço não tem lugar para trailers blockbusters, ao que o Pinho afirma:

“A gente não exibe ‘Vingadores’, filmes do tipo blockbuster. Então, comparativamente, atrair cem pessoas significa cerca de 50% da lotação de uma sala padrão, que tem geralmente cerca de 200 lugares. Isso é muito bom. A gente está alcançando um público fenomenal se comparado ao resto do Brasil”.

Atualmente, o Brasil possui 3.300 salas e apenas 200 delas têm esse perfil independente.

Filmes nacionais no Cinema São Luiz

Pela sala vintage do Cinema São Luiz já passaram as longas-metragens: “Divino Amor”, de Gabriel Mascaro; “Organismo”, de Jeorge Pereira; e “Estou me guardando para quando o Carnaval chegar”, de Marcelo Gomes.

Já no final do mês de agosto será a vez de “Bacurau”, de Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, seguido por “A Serpente”, de Jura Capela. O final de 2019 será marcado pela produção “Marighella”, de Wagner Moura.

Longa-metragem Bacurau

A produção “Bacurau” ganhou bastante notoriedade após Kleber Mendonça ficar bastante conhecido no tapete vermelho do Festival Cannes quando apresentou seu outro filme “Aquarius”, também estrelado por Sonia Braga.

Portanto com o anúncio da entrada em cartaz do trailer “Bacurau” em várias salas do país no final deste mês, o assunto gerou uma corrida à bilheteria do Cinema São Luiz para garantir um ingresso para o dia da estreia. Pinho contou à mesma publicação:

“No dia em que começamos a vender os ingressos, uma moça entrou na fila às 5h20 da manhã. Abrimos às 11h e, às 12h34, já não havia mais ingresso para a primeira sessão”.

Sobre o programador do Cinema São Luiz

Geraldo Pinho é um verdadeiro amante da sétima arte e não esconde a alegria em notar que “Bacurau” também será exibido em salas comerciais, localizados em diversos shoppings brasileiros. Ele explica que:

“É fundamental ver essas salas ligadas à indústria cinematográfica se interessando por um filme pernambucano, gravado na Paraíba. O que o cinema brasileiro precisa é de tela, de espaço para se mostrar. O público precisa ver os nossos filmes, eles têm que ser escancarados. Essa é uma forma crucial de resistência”.

Ele conclui que todos esses fatores influencia com que outro tipo de público conheça ou volte a frequentar o Cinema São Luiz, em virtude dessa nova safra de filmes brasileiros. O programador finaliza a conversa dizendo que tudo é importante para a sobrevivência de um cinema de rua.

Fonte: Folha PE

*Foto: Divulgação / Facebook Cinema São Luiz – Nicoli Mazzarolo