Cirurgias de hérnias abdominais apresentaram queda de 52% no SUS

As hérnias abdominais podem se manifestar na dor ou serem silenciosas, apenas mostrando uma tumoração no local

Recentemente, veio à tona que o número de cirurgias para reparar hérnias localizadas na parede abdominal, feitas pelo Sistema Único de Saúde (SUS), em Santa Catarina, sofreu uma queda de 52%. Em números absolutos, considerando o ano completo saiu de 11,1 mil em 2019 para 5,3 mil em 2021. Os dados são do DataSus. Diante disso, é preciso entender como a doença se manifesta no organismo.

Hérnia da parede abdominal

Segundo o Dr. Gustavo Menelau, médico cirurgião geral especializado em gastro, as hérnias abdominais são protrusões do conteúdo abdominal por meio de uma área de fraqueza ou defeito na parede abdominal. Além disso, elas podem ser “adquiridas ou congênitas”, e podem surgir em diversos lugares da parede abdominal. Mas são mais comuns as umbilicais, inguinais e epigástricas.

Gustavo Menelau ressalta ainda que hérnias nesta região podem “cursar com dor ou serem silenciosas, apenas mostrando uma tumoração no local, também podem estrangular, quando a hérnia sai e não volta mais pra dentro do abdômen, sendo dessa forma uma urgência médica, precisando cirurgia o mais rápido possível”.

Cirurgias de hérnias abdominais

O diagnóstico das hérnias abdominais é feito por meio de exame físico e exames de imagem. Porém, o tratamento é sempre cirúrgico, conclui Dr. Menelau.

Em relação às cirurgias de hérnias abdominais de urgência e emergência, foram feitas 3.000 intervenções no mesmo período. Isto configura 13% total.

A redução de 52% do número de procedimentos gerou preocupação de especialistas, que foi debatido no dia 30 de abril, durante a Jornada Sul Brasileira de Hérnia, na cidade catarinense de Blumenau.

Mais envolvimentos pelo corpo

Além, disso, as hérnias abdominais envolvem também as umbilicais, incisionais (na cicatriz de uma cirurgia anterior), inguinais (na virilha) e as epigástricas.

A alteração na virilha é a mais comum, com 75% dos casos, e atinge quase 20% dos homens adultos ao longo da vida.

Sociedade Brasileira de Hérnias da Parede Abdominal

Conforme cirurgião Marcelo Furtado, presidente da Sociedade Brasileira de Hérnias da Parede Abdominal, a cirurgia é o único modo eficaz de tratamento das hérnias. Isso porque sua ausência pode provocar sérios riscos ao paciente.

“Além de afetar negativamente a qualidade de vida trazendo sintomas como dor, desconforto e prejuízos estéticos, as complicações como o estrangulamento e o encarceramento podem levar o paciente à morte caso não sejam tratados adequadamente.”

Fila de espera para uma cirurgia

O número de pacientes que esperam por uma cirurgia de hérnia abdominal no SUS chega a 381, em Blumenau, que possui 361,8 mil habitantes.

Porém, quando ocorre um atendimento desde o início, ele consegue evitar complicações. É o que diz o cirurgião Pedro Trauczynski, coordenador local da Jornada Sul Brasileira de Hérnia. 

“É uma das doenças mais operadas no mundo e a complicação do estrangulamento acontece quando o conteúdo herniário (geralmente parte do intestino) fica estrangulado, comprometendo o fluxo sanguíneo e podendo levar a isquemia e gangrena. O paciente geralmente apresenta dor intensa e a cirurgia deve ser realizada o mais breve possível.”

Técnica pouco invasiva: videolaparoscopia

Além disso, do total das 22 mil cirurgias de hérnias feitas pelo SUS entre 2019 e 2021, somente 127, ou 0,5%, foram realizadas por meio da técnica de videolaparoscopia, uma tecnologia minimamente invasiva.

Para o Dr. Gustavo Soares, vice-presidente da SBH, as cirurgias menos invasivas trazem vantagens tanto ao paciente quanto ao cirurgião.  O paciente fica menos tempo internado e retoma suas atividades mais rapidamente.

Pedro Trauczynski pontua também que a cirurgia de hérnia passou por uma recente revolução. Ela consiste em poder operar grandes hérnias incisionais de modo minimamente invasivo, com maior segurança ao paciente, contando com a tecnologia robótica.

Contudo, a cirurgia de hérnia pode ser muito complexa e exigir grande capacitação técnica. Portanto, é fundamental debater sobre essas técnicas e levar ao paciente, particular e SUS, o melhor tratamento possível, conclui.

Foto: Reprodução/Unsplash