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História

Colônia Juliano Moreira ganha exposição histórica no Rio

Mostra sobre a Colônia Juliano Moreira começa nesta quinta-feira (11), no bairro de Jacarepaguá

Começa na próxima quinta-feira (11) a exposição “Arte ponto vital”, que relata os quase 100 anos de história do Museu Bispo do Rosário, na Colônia Juliano Moreira, em Jacarepaguá.

Colônia Juliano Moreira – exposição

Atualmente, o local funciona como um complexo cultural. Mas outrora, ele serviu de colônia agrícola, manicômio e hospital.

A mostra “Arte ponto vital” pretende contar todas as experiências ocorridas nestes quase 100 anos da colônia. Por meio de pinturas, esculturas, fotos históricas, vídeos e até aparelhos antigos, que eram utilizados em pacientes no começo do século XX, para tratamentos com choques e lobotomias.

Vale ressaltar que esta exposição já é considerada como uma abertura às comemorações do centenário da instituição, que será comemorado em 2024.

Artistas da mostra

A mostra exibirá em torno de 30 artistas, que trazem diferentes perspectivas sobre a história da Colônia Juliano Moreira. Mas em razão da pandemia, a exposição será em formato híbrido. Ou seja, uma parte da mostra será presencial e outra virtual. O objetivo é atingir o maior número de pessoas.

Destaques

Entre os artistas que se destacam na mostra está Arthur Bispo do Rosário. Ex-paciente da colônia, ele influenciou o campo da saúde mental em relação às práticas de cuidado. Isso porque suas obras confirmam a importância de valorização da capacidade criativa e do resgate da liberdade.

Para Raquel Fernandes, diretora do Museu Bispo do Rosário, a exibição permite que o público perceba como a arte foi importante para aquelas pessoas. E que elas funcionavam como uma estratégia de sobrevivência da própria identidade dos internados:

“A colônia virou rapidamente um depósito de gente, um lugar de fim de linha. Um lugar que viveu muita violência em nome de um cuidar, e aí a relação com a arte vai ter um certo paradoxo. Entrando no hospital, eles eram apenas números, tinham a cabeça raspada e tudo mais, mas a arte dava um tipo de voz, uma humanização.”

Espetáculo teatral “Em busca de Judith”

O museu receberá ainda a peça “Em busca de Judith”. O enredo parte de uma história familiar verídica, sobre uma mulher que quer saber o real paradeiro de sua avó materna. As sessões são gratuitas e online, do dia 16 a 23 deste mês. É preciso se inscrever pela plataforma Sympla. Além disso, entre os dias 23 e 29 haverá exibição aberta pelo canal do YouTube da atriz Jéssica Barbosa.

Museu Bispo do Rosário

Inaugurado em 1924, o Museu Bispo do Rosário foi batizado de Colônia de Psicopatas-Homens. Na época ele era um modelo de assistência psiquiátrica organizado em colônias agrícolas para abrigar pacientes ditos incuráveis.

Já em 1935, surge a Colônia Juliano Moreira que expandiu de modo significativo suas instalações com a implantação de um novo modelo de assistência: o hospital-colônia.

Década de 1980

Por outro lado, na década de 1980, com os avanços da luta antimanicomial, as ações culturais, educativas e artísticas tornaram-se fatores fundamentais na criação de novas práticas de cuidado e no movimento de desinstitucionalização. Sobre isso, Raquel Fernandes acrescenta:

“A exposição chega em um momento oportuno, pois há várias tentativas de retrocesso. É necessário pontuar que saúde é muito mais que remédio, mas é convivência, troca e a possibilidade de construir identidade e possibilidade de pertencer a um lugar.”

Painel em destaque

Outro destaque da mostra diz respeito a um painel do artista Leonardo Lobão, que retrata o dia a dia na antiga colônia.

Há também um mural na parede lateral do edifício sede, feito por Miguel Afa, que, com mais de cinco metros de altura, poderá ser visto desde a Transolímpica.

Por causa da pandemia, o Museu Bispo do Rosário disponibilizará visitas mediadas de terça a sexta-feira, com grupos de no máximo cinco pessoas, mediante agendamento prévio pelo site da instituição.

*Foto: Divulgação/Rodrigo Lopes

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