Conheça os sítios arqueológicos da Serra da Capivara (PI)

Serra da Capivara também promove o encontro entre uma arte rupestre e tecnológica através de um museu interativo em meio a cânions e paredões rochosos

O Parque Nacional da Serra da Capivara fica situado ao sul do Piauí e abrange quatro municípios: Canto do Buriti, Coronel José Dias, São João do Piauí e São Raimundo Nonato. Possui 91,8 mil hectares e em 1991, se tornou Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.

A formação mais conhecida do espaço é o Boqueirão da Pedra Funda, que é um buraco aberto pela ação da natureza. Além disso, no boqueirão já foi encontrado vestígios da arte e cultura de povos antepassados, que habitaram a região há 12 mil anos.

Serra da Capivara em sua extensão

Na parte de dentro da mata é possível perceber passarelas de metal que foram erguidas sobre escavações arqueológicas. O trajeto leva a um paredão de aproximadamente cem metros de altura que é coberto por desenhos de milhares de anos. Estas representações vão desde rituais de sexo, passando por partos, animais gigantes e de caçadas.

A cor predominante deste cenário arqueológico é o vermelho, mas também há um reforço do azul e do branco. Já as datas dos vestígios de antepassados se misturam. Pois, há indícios de 2.000 anos atrás, que já era uma continuação dos desenhos de civilizações anteriores.

Dos 1.300 sítios arqueológicos localizados na reserva do Piauí, o Boqueirão da Pedra Furada é o mais famoso e acessível. Do total, 950 contam com pinturas rupestres, onde 204 estão abertos ao público e 17 deles possuem recursos de acessibilidade para pessoas com deficiência (PCD).

Parque Nacional da Serra da Capivara

O Parque Nacional da Serra da Capivara foi inaugurado em 1979, graças ao empenho e esforço da arqueóloga brasileira Niéde Guidon. A entrada a este paraíso histórico é gratuita. Já o município de São Raimundo Nonato oferece a melhor base para os turistas poderem visitar o local. A cidade de 32 mil habitantes oferece hospedagens simples e restaurantes com comidas típicas da região, como a galinhada com pirão de mulher parida.

Os guias do parque destacam quatro circuitos para visitação. O principal deles é o trajeto que corta o desfiladeiro Capivara e passa pelas tocas da Entrada do Pajaú e do Barro. Além do caminho do Paraguaio, que foi o primeiro sítio investigado pela equipe de Guidon, na década de 1970. Completam o quarteto, os circuitos da Serra Branca (o Jurubeba) e o Sítio do Meio.

Descobertas

Guidon conta que em 1963, quando ainda trabalhava no Museu do Ipiranga, em São Paulo, ela organizava uma exposição sobre arte rupestre no Brasil. A partir daí teve contato com o material enviado pelo prefeito de Petrolina (PE), que eram desenhos do sul do Piauí, com trabalhos jamais vistos por ela.

Nos anos seguintes, Guidon continuou a estudar a região arqueológica do sul do Piauí, mas atuando como professora na França. Em uma expedição ao Brasil, ela descobriu materiais que datavam de 26 mil anos, uma fogueira no caso. E disse à mesma publicação:

“Quando me mandaram o resultado, fui até o laboratório e disse que haviam misturado minhas amostras. Não era possível ter nada tão antigo assim na América. A chefe do laboratório respondeu: continue pesquisando lá, são suas amostras mesmo. Continuamos e chegamos a até 110 mil anos aqui”.

Este foi o gatinho da arqueóloga para continuar suas descobertas, e encontrar o crânio de um homem, Zuzu, datado de 10 mil anos. Além disso, também foram achados pedaços de pedra com 50 mil anos, que serviam como ferramentas.

De acordo com ela, em um período mais recente, foi descoberta a idade das cinzas de uma fogueira próxima ao Boqueirão da Pedra Furada, avaliada em 110 mil anos.

Junto a essas descobertas, também há evidências no Chile, México, Uruguai e nos Estados Unidos, que apontam que o homem chegou ao continente há pelo menos 130 mil anos, por meio de três rotas distintas. Cientistas também já traçaram um caminho, via estreito de Bering, em que seres humanos teriam cruzado de barco os oceanos Pacífico e Atlântico.

Fundação Museu do Homem Americano

Na região da Serra da Capivara ainda é possível absorver a história do homem, contada no Museu do Homem Americano, localizada na cidade de São Raimundo Nonato. Para adentrar o local, o visitante paga R$ 20.

Já em dezembro do ano passado, o próprio parque arqueológico passou a contar com o Museu da Natureza. O prédio de formato retangular, foi projetado pela arquiteta Elizabete Buco, situado em meio à vegetação e aos paredões rochosos. O local possui 1.700 metros quadrados e conta com 12 salas temáticas, que vão desde a origem do universo até a chegada do homem nesta região.

Além disso, a tecnologia também está presente no espaço, tornando o museu um local hitech, com painéis e telas interativas, com projeções de vídeos e ainda de um simulador de voos sobre o parque da Serra da Capivara. Tais interações auxiliam a absorver as mudanças na região, onde 9.000 anos atrás era apenas uma mistura de floresta amazônica com mata atlântica e habitat de animais brasileiros gigantescos.

No museu, estão expostos fosses desses bichos, que é o caso do tigre-dentes-de-sabre, de até 2,5 metros de comprimento; do mastodonte de 5 metros; e a da preguiça-gigante, de até 6 metros.

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Divulgação