Empresários do Ceará: programa de redução de jornada é prioridade

Para muitos empresários do Ceará, medida reflete em diversos setores

O novo programa de redução de jornadas e salários já está entre as prioridades dos empresários do Ceará. Além disso, o projeto, que seria aprovado de modo semelhante à Medida Provisória 936, está sendo apontado por líderes de entidades do Estado como um dos mecanismos que poderia evitar emissões e fechamentos de negócios nas próximas semanas por causa da pandemia.

Situação para empresários do Ceará

Contudo, para Taiene Righetto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), a renovação da medida deve ajudar as empresas a quitar os gastos com a folha de pagamento. Este fator vem sendo pressionado pela queda de faturamento da economia do Estado, em razão da contenção dos casos de covid-19.

Segundo um levantamento da Abrasel-CE, 82% das empresas do setor de bares e restaurantes afirmou não ter dinheiro para pagar a folha do mês de abril. Sobre isso, Righetto pontua:

“Para a gente, depois não conseguir a retomar os trabalhos, não ter a redução de folha é o maior gargalho para manter empregos e empresas. Tivemos a promessa do presidente da República, mas ele não cumpriu e já estamos esperando há semanas. Eu tenho a folha para fechar e não consigo fazer o pagamento, e ainda temos de considerar que algumas pessoas estão na estabilidade da MP passada, então não podem ser cortados.”

E conclui:

“A não aprovação da MP nos obriga a deixar o funcionário em casa sem poder demitir e sem conseguir trabalhar.”

Comércio

Tal medida permitiria a redução ou suspensão de contratos foi apontada como uma das prioridades para o comércio, afirma presidente da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Ceará (FCDL), Freitas Cordeiro.

Entretanto, ele diz que apesar do impacto positivo, este será menor em 2021, em comparação ao registrado em 2020. Isso porque a realidade atual das empresas não seria capaz de recuperar totalmente os negócios desde o começo da crise sanitária.

“Nós estamos aguardando e na expectativa da aprovação. Essa foi uma das melhores medidas do Governo Federal na primeira etapa da pandemia. O Brasil conseguiu preservar 12 milhões de empregos e sempre me perguntei por que não foi mantida. O Congresso deixou caducar, então eu acredito que ela não deve ter o mesmo impacto em relação ao ano passado, até porque muitas empresas já entraram em uma fase crítica.”

Ele também acredita que “essas medidas emergenciais com prazo definido não dão certo porque a pandemia não teve fim no curto prazo”.

Chance de diminuir impactos

Por outro lado, Circe Jane Teles, presidente do Sindicato das Empresas organizadoras de Eventos e Afins do Estado do Ceará (Sindieventos-CE), a recriação de um mecanismo semelhante à MP 936 poderia dar mais tempo às empresas para renegociar gastos operacionais:

“Essa MP ajudaria muito o setor e minimizaria os efeitos negativos, dando mais tempo para as empresas negociarem os gastos com folha de pagamento. Muitas das empresas não conseguiram sustentar os postos de trabalho devido à longa paralisação, e com a medida, as empresas podem ter mais tempo.”

Além disso, ela destaca o impacto do programa de redução de jornadas e suspensão de contratos a pequenos negócios e a empresas de eventos sociais, como buffets, que tiveram gastos frequentes com infraestrutura mesmo durante a pandemia.

“Isso é uma prioridade principalmente para setores sociais, como buffets, que estavam com eventos e agenda marcada e que tiveram de adiar. Adiar tudo isso é muito custoso até pensando em manter toda a estrutura, que os onera mensalmente e não temos de suprimir esses gastos.”

Política

Mesmo em meio às dificuldades, os líderes das três entidades afirmaram que estão se articulando nacionalmente com os deputados estaduais e federais. O objetivo é buscar a aprovação do projeto de redução de jornadas com urgência.

Segundo Freitas Cordeiro:

“Nós temos feito uma ação com a Confederação Nacional (de Dirigentes Lojistas), levado esses pleitos ao Congresso e conversado com nossa bancada representativa, mas tem ficado lá. Estamos tentando trazer esperança aos associados, porque não podemos ir à rua para protestar durante uma pandemia. Temos de trabalhar onde a nossa ação pode frutificar, então tem sido lá no Congresso o nosso trabalho.”

*Foto: Divulgação