Encontros virtuais discutirão da arte ao trabalho, o planeta pós-pandemia

Projeto de encontros virtuais vai reunir de filósofos a economistas, passando por literatura, arte e civilização indígenas, em seis seminários

Com a pandemia de Covid-19, muito se fala em diversos países como ficará o planeta pós-pandemia. Consequentemente, isso envolve os setores da economia: que vão da arte ao trabalho de outros ramos de atividade.

Vale ressaltar que em meio ao período de isolamento social, a cidade de Belo Horizonte conseguiu manter de pé suas livrarias de rua, com entregas delivery, para a segurança de todos.

Encontros virtuais para discutir os temas do mundo pós-pandemia

Por meio de uma série de encontros virtuais, sendo seis no total, é o que o projeto idealizado pela Casa Fiat de Cultura, CCBB, memorial Minas Gerais Vale e MM Gerdau – Museu das Minas e do Metal quer promover, através de uma curadoria coletiva.

O seminário “Conversas” acontece sempre às terças-feiras, às 17h, de hoje (14) a 18 de agosto. Além disso, o evento é gratuito e as palestras são transmitidas nos canais do YouTube dos respectivos espaços de cultura, citados acima. O projeto vai reunir pensadores da ciência, filosofia, artes e futurologia.

Seminário de abertura

O debate de estreia desta terça (14) será aberto pelo líder indígena, ambientalista e escritor, Ailton Krenak. Natural de Itabirinha, na região do Vale do Rio Doce (MG), ele é integrante da comunidade dos Krenak e vai abordar na série de encontros virtuais as potências do afeto. Para Krenak, a possibilidade de uma mudança está no quesito desejar, e ainda baseado em sistema de cooperação. Para mediar este seminário, o projeto convidou a jornalista, escritora e documentarista Daniella Zuppo.

Para o líder indígena, o homem está tão longe da natureza que abriu uma brecha para que o novo coronavírus cruzasse o mundo sem barreiras:

“Se parte da humanidade ainda tivesse profundas relações com a natureza, provavelmente não contrairia o vírus. O homem se descolou da vida do planeta, a ponto de criar um vácuo entre ele e a Terra, para um organismo atravessar o planeta inteiro.”

Ele ainda indica que estamos em retrocesso:

“Estamos dando um salto para o futuro, mas passando por cima das condições do presente e esse equívoco está nos levando a aterrissar no passado.”

Com isso, o ser humano estaria repetindo erros do passado e se atropelando na pressa de seguir em frente:

“O presente é agora. O mundo com uma pandemia, passando um aperto danado e sem perspectivas sobre o que acontecerá amanhã. É como se chegássemos ao banco do tempo e pedíssemos para o gerente: me empresa um futuro? Pode cobrar juros exorbitantes, não tem problema, pois estou louco por um futuro.”

Futuro

No encontro virtual do dia 21 a futurista paulista Lala Deheinzein vai abordar as faces do futuro, mudanças socioculturais, criatividade e inovação. Ela, que foi indicada pela P2P Foundation como uma das 100 mulheres que estão cocriando a sociedade colaborativa, na categoria “Pioneiras e defensoras nos negócios e economia ética”, vai discutir também quais adaptações precisam ser feitas na vida pelas próximas décadas.  

Além disso, Lala vai debater ainda o papel dos artistas e de todo setor cultural e como serão essenciais as mudanças a partir de agora:

“O principal é compreendermos que a vida mudou e essa mudança poderá nos levar para um lugar mais interessante”.

Por outro lado, ela acarreta que a pandemia vem reforçar o desafio atual, por se tratar de algo exponencial:

“Porém, se trabalhamos sozinhos, não conseguiremos dar conta. Tem-se uma resposta linear para um desafio exponencial e aí não há como. A chave está no fazer em grupo, colaborar.”

No entanto, ela se diz otimista em relação ao futuro:

“Sempre temos medo do futuro. Porém, em situações como a que estamos vivendo, acabamos chegando a lugares melhores. Por mais duro que seja o caminho, nunca tivemos tanto conhecimento, tanta gente querendo fazer diferente e tantos recursos.”

*Foto: Divulgação