Famílias divulgam carta aberta contra cervejaria Backer

Cervejaria Backer não prestou qualquer assistência, de acordo com parentes das vítimas fatais, seis no total, além de 34 casos investigados pela Polícia Civil

As famílias das pessoas que foram intoxicadas pela substância tóxica dietilenoglicol, presente nas cervejas da empresa mineira Backer, publicaram ontem (10) uma carta aberta com a companhia, cobrando assistência aos pacientes mais de um mês após o ocorrido.

Trechos da carta contra a cervejaria Backer

Entre alguns pontos, os familiares denunciam “o comportamento atroz que a Cervejaria Três Lobos – Backer vem apresentando perante os consumidores que estão com gravíssimos problemas de saúde após a ingestão da cerveja Belorizontina”.

O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) determinou prazo de 72 horas, vencidos na semana passada, para que a empresa Backer se pronunciasse a respeito. De acordo com o órgão estadual, a cervejaria deve custear as despesas solicitadas pelas famílias ou apresentar a negativa.

O documento também informa que, mais de um mês após a confirmação da contaminação das cervejas da marca e vencido o prazo proposto pelo MPMG, “a Backer não prestou qualquer auxílio”.

O documento informa que, mais de um mês depois da confirmação da contaminação das cervejas e vencido o prazo que o MPMG, “a Backer não prestou qualquer auxílio”.

MPMG

No dia 30 de janeiro, o Ministério Público promoveu uma audiência pública entre as parentes das vítimas e representantes da cervejaria. A companhia se reuniu individualmente com 12 famílias.

“Durante essas reuniões individualizadas, ocorridas em 03 de fevereiro, o enfoque da Backer passou longe de ser a saúde das vítimas. A empresa pretendia coletar informações por meio de um questionário que envolviam perguntas sem nenhuma relação com as necessidades e custeios de tratamento. Tratou-se de investigação própria que pode até mesmo embasar teses de defesa em face das vítimas.”

Além disso, a carta chama a atenção para o quão grave é o quadro dos pacientes ainda internados

“Existem vítimas que estão em coma, tetraplégicas e entubadas, outras em CTI com problemas nos rins, fazendo diálises diariamente, e com problemas neurológicos como paralisia de movimentos e facial, além de prejuízo a questões básicas como visão, fala e paladar. Existem vítimas que estão na fila do SUS aguardando tratamento e remédios, outras que não estão no hospital, mas não conseguem mais trabalhar devido às sequelas neurológicas e de visão.”

Falta de respostas da Backer

Segundo relato das famílias, até ontem nenhum parente foi respondido e nem ao menos um contato divulgado.

“Temos certeza de que a comunidade mineira deseja que nossas empresas prosperem, mas não às custas de vidas, desprezo e tanto desamparo.”

O prazo determinado pelo MPMG foi encerrado na última quinta-feira (6). A partir daí, a cervejaria Backer publicou uma nota, dizendo que durante as 72 horas impostas pelo órgão estadual, analisou documentos e realizou reuniões de forma individual com 12 familiares de consumidores de suas cervejas, com exceção de dois que não compareceram. A empresa afirmou neste comunicado:

“E ficou definido que a ‘logística’ do atendimento (total ou parcial) será definida e formalizada junto aos familiares, uma vez que há pedidos que extrapolam o mero fornecimento de recursos financeiros”.

Além disso, ontem, a Backer também divulgou que “as tratativas feitas em conjunto com o Ministério Público estão sendo observadas na íntegra e todas as comunicações oficiais estão sendo formalizados perante a autoridade competente que está ciente do cumprimento dos atos pela empresa. A Backer também informou que está oferecendo atendimento psicológico às famílias”.

A Polícia Civil investiga 34 casos vinculados à contaminação das cervejas da marca mineira, sendo seis óbitos.

Fonte: Jornal Estado de Minas

*Foto: Divulgação / Paulo Filgueiras/EM/D.A Press