Festival Finos Filmes exibe curtas e debates online até domingo

Evento da Finos Filmes adotará o sistema de exibição online, em função da pandemia de Covid-19; primeiro debate vai reunir o ator Lázaro Ramos e a escritora Ana Maria Gonçalves

A seleção do Festival Finos Filmes deste ano começou antes do anúncio da pandemia de Covid-19. Os curtas-metragens que seriam exibidos durante a sétima edição da mostra de cultura cinematográfica, na cidade de São Paulo, agora serão apresentados pela internet.

A edição 2020 começa hoje (30), em modo virtual, além de focar mais na realização de debates do que na exibição curtas. O festival acontece até domingo (5), com seis debates online que se conectam com a seleção de 13 filmes, de um total de 200 trabalhos inscritos.

Plataforma do Festival Finos Filmes

As produções do Festival Fino Filmes estão disponíveis de forma gratuita por meio da plataforma do Spcine Play. Já os temas desta edição giram em torno de assuntos bastante discutidos atualmente: racismo, memória, tecnologia, corpo e, consequentemente, sobre cinema.

A mesa virtual de debates terá início com um diálogo entre o ator Lázaro Ramos e a escritora Ana Maria Gonçalves, hoje à noite, por meio do canal do Museu da Imagem e do Som (MIS-SP), no YouTube. O tema deste debate será: “Resgatar o passado, construir o futuro”, a partir dos filmes Sem asas (Renata Martins) e A morte branca do feiticeiro negro (Rodrigo Ribeiro).

De acordo com o idealizador do Finos Filmes, Felipe Poroger, em entrevista ao jornal Estado de Minas:

“A gente acredita na presença coletiva do cinema, o festival sempre foi mais de debates do que de filmes. A partir da experiência do (festival) É Tudo Verdade, que abriu as portas do on-line para os eventos de cinema, fizemos as adaptações.”

Formato online

Poroger afirma que a exibição online do festival não é algo definitivo:

“Até então, o festival era todo em cinema (as edições passadas foram realizadas em vários espaços da capital paulista). O virtual é um caminho sem volta, pois ele certamente muda o modo como se relacionam os eventos culturais.”

Esta é a primeira edição que o evento leva seus curtas-metragens para a plataforma do Spcine Play. Desde outubro de 2018, formato original, com média de 250 produções via streaming, que a plataforma identificou um enorme crescimento durante o período de isolamento social pela pandemia de coronavírus. Em comparação à mesma época, em 2019, ocorreu nos seis primeiros meses de 2020, um aumento de 430% de visualizações.

Até o começo da quarentena, a Spcine Play operava do seguinte modo: tinha filmes ligados a mostras e festivais de São Paulo exibidos gratuitamente e também produções nacionais licenciadas que eram pagas (R$ 3,99 o aluguel por 48 horas).

Sobre isso, o coordenador da Spcine, Dilson Neto, explica:

“Em março, no início da pandemia, conseguimos renegociar os filmes pagos para que fiquem gratuitos até o fim do ano. Isso, naturalmente, já abre espaço para que produtores independentes, que não têm filmes em festivais ou plataformas digitais, tragam suas produções para a gente. É bom para nós e para eles, pois atrai uma maior visibilidade.”

No mês de maio, os filmes mais acessados do site foram: “ Vaga carne”, dos mineiros Grace Passô e Ricardo Alves Jr., “São Paulo em hi-fi”, de Lufe Steffen, e “Carandiru”, de Hector Babenco.

7ª edição

Desta terça-feira (30) a domingo (5), basta o público entrar no YouTube do MIS. E os filmes selecionados estarão disponíveis no Spcine Play até o dia 8 de julho.

Confira a programação:

Terça (30) – Às 20h. Ana Maria Gonçalves, Lázaro Ramos e Isabela Reis debatem o tema “Resgatar o passado, construir o futuro”, a partir dos filmes “Sem asas” (Renata Martins) e “A morte branca do feiticeiro negro” (Rodrigo Ribeiro).

Quarta (1º/7) – Às 18h. Dina Alves, Helena Ignez e Alice Marcone e Sarah Oliveira falam sobre corpo e liberdade a partir dos filmes: “Carne” (Camila Kater), “Liberdade é uma palavra” (Stephanie Ricci) e “Bonde” (Asaph Luccas).

Quinta (2/7) – Às 18h. Eliane Caffé, Eugênio Bucci, Sthefany de Paula e Yasmin Santos falam sobre produção de imagens e filmes como instrumento de resistência a partir de: “Imagens de um sonho” (Leandro Olímpio) e “Conte isso àqueles que dizem que fomos derrotados” (Aiano Bemfica, Camila Bastos, Cristiano Araújo, Pedro Maia de Brito).

Sexta (3/7) – Às 18h. Christiane Jatahy, Michel Laub, Silvana Bahia e Rita Mattar discutem arte, memória e tecnologia a partir dos filmes: “Recoding art” (Bruno Moreschi, Gabriel Pereira), “Luis Humberto: O olhar possível” (Mariana Costa, Rafael Lobo) e “Sangro” (Tiago Minamisawa, Bruno Castro e Guto BR).

Sábado (4/7) – Às 15h. João Paulo Miranda e Antônio Pitanga, diretor e ator do longa “Casa de antiguidades”, conversam com Laís Bodanzky sobre a situação do cinema brasileiro.

Domingo (5/7) – Às 15h. Pastor Henrique Vieira e Felipe Poroger conversam sobre tempo e política a partir dos filmes: “Aos cuidados dela” (Marcos Yoshi), “Baile” (Cintia Domit Bittar) e “Guaxuma” (Nara Normande).

Fonte: jornal O Estado de Minas

*Foto: Divulgação/Caroline Lima