Fiesp exibe mostra de gravuras de art noveau do artista Alfons Mucha

O artista tcheco Alfons Mucha vem do expoente do art nouveau e ficou famoso por suas gravuras de mulheres emolduradas por flores e arabescos. E é justamente este trabalho denominado de ninfas sensuais que a Centro Cultural Fiesp, em São Paulo, exibe até 15 de dezembro.

Gravuras e art nouveau

O trabalho de Mucha (se lê Murra) também passa por cenografia, escultura, fotografia e pintura. No entanto, foi com suas gravuras de mulheres que parecem ninfas envoltas em flores e arabescos, que podem ser vistos como ondulantes ou ainda sensuais, que ele alcançou o status de patrono do estilo art nouveau, no final do século 19.

As obras que poderão ser contempladas no Centro Cultural Fiesp abrangem desde as peças da atriz Sarah Bernhardt (1844-1923) até rótulos e embalagens para biscoitos, cigarros, espumantes e sabonetes.

A exposição reúne mais de cem obras que foram emprestadas pela Fundação Mucha, que fica em Praga, e compõe um padrão mais expressivo do trabalho do artista tcheco.

Curadoria da exposição

A curadoria da mostra que traz que a figura dessas mulheres em forma de gravuras emolduradas é de Tomoko Sato. Ela destaca a dupla habilidade de Mucha, que foi capaz de conjugar experimentações formais ao longo de toda sua trajetória artística e (ainda completa que isso tudo vem antes das vanguardas modernas), e também da compreensão do que era necessário para atender a todos os nichos daquela época, o que inclui um gosto mais popular, para assim turbinasse seu status. A curadora afirma à Folha:

“Ele tinha consciência da importância da repetição, dessas variações sutis sobre um mesmo tema que fazem  o público associar uma obra a um artista”.

E completa que as pessoas gostam daquilo que conseguem entender. Portanto, foi assim que Mucha se tornou uma das primeiras celebridades do meio artístico, em pleno século 19.

Sato ressalta também os conceitos de sedução, surpresa e choque, que considera o artista como o “pai da propaganda moderna”.

Peças da atriz Sarah Bernhardt

A notoriedade de Mucha veio por meio da atriz, ao final do contrato de seis anos. Naquela época, ele era o responsável pela criação dos cenários, figurinos e cartazes das peças de Bernhardt.

Em seguida, veio a cenografia do pavilhão bósnio na Exposição Universal de Paris de 1900, com obras que evidenciavam suas musas longilíneas, de cabeleira longa emolduradas por mosaicos. E esta temática já  era copiada mundo afora.

No entanto, sua influência foi decaindo no decorrer das décadas seguintes. O motivo seria o fascínio pelas vanguardas modernistas do início do século 20.

Art nouveau revisitada

Nos anos 60, sua iconografia foi revisitada pelo movimento psicodélico, sobretudo na Inglaterra, influenciando pôsteres das bandas Rolling Stones e Pink Floyd.

Já no fim do século 20, era vez do retorno de suas gravuras mais exuberantes que fizeram do artista tcheco a grande celebridade que foi. Suas obras, então, passaram a influenciar os quadrinhos da Marvel, além de mangás japoneses e manhwas sul-coreanos. Alguns desses trabalhos também poderão ser vistos nesta mostra da Fiesp.

Estilo “cosmético”

Apesar de grande reconhecimento, Sato chama atenção pelo de Mucha se ressentir da ligeireza que sua obra causava como se fosse algo “cosmético”, e não de uma representação de ideias. Em alguns de seus escritos, ele dizia: “Lançar luz sobre os lugares mais remotos”. Com isso, ele segue o caminho da maçonaria e experiências mais espirituais, como o misticismo e o ocultismo, muito por influência de seu amigo, o dramaturgo sueco August Strindberg.

No entanto, a última fase da carreira de Mucha é evidenciada pela “Epopeia Eslava”, quando volta à sua terra natal, em 1910. O trabalho consiste em 20 murais, em que mostra episódios-chave na história dos tchecos de outros povos eslavos.

A independência da Tchecoslováquia, ocorrida em 1918, era uma fixação do artista. Nesta época, ele desenhou as primeiras notas e selos do país livre. E ainda inseriu acenos ao imaginário eslavo, visto em trajes típicos do folclore. Com o país livre, teve quem afirmasse que as obras de Mucha haviam perdido o sentido.

O público só poderá conferir a “Epopeia” por meio de uma instalação audiovisual, pois a obra é muito frágil para sair da República Tcheca.

Para mais informações sobre a mostra, que é gratuita, basta acessar o site do Centro Cultural Fiesp.

Fonte: Folha de São Paulo

*Foto: Divulgação