Kalil deve instituir lockdown em BH e não reabre atividades não essenciais

Possível lockdown em BH seria motivado pela explosão de casos e mortes decorrentes da pandemia de Covid-19

Nesta terça-feira (23), Belo Horizonte atingiu a marca de 4.667 casos e 96 mortes pela doença. De acordo com balanço da prefeitura, existem 3.804 pacientes recuperados e 767 em acompanhamento.

O chefe do Executivo municipal já tinha alertado a população na última sexta-feira (19) sobre o aumento das aglomerações de pessoas, especialmente nos finais de semana:

“Se os churrascos continuarem, não teremos problemas em fechar a cidade.”

Possível lockdown em BH

Por meio de videoconferência, Kalil se reuniu com o secretário de Saúde Jackson Machado Pinto e com infectologistas para debater ações de combate à Covid-19. Na ocasião, a maior preocupação é em relação ao aumento da ocupação dos leitos, que de acordo com a prefeitura está em torno de 86%.

Dentro da classificação estabelecida pelo Comitê de Enfrentamento e Combate ao coronavírus da capital, esse índice levará automaticamente ao fechamento do comércio não essencial. Vale lembrar que outras capitais já adotaram o esquema de lockdown e outras já estudaram a possibilidade. É o caso do ABC paulista, que dependia na época de um posicionamento da cidade de São Paulo.

Kalil ainda afirma que a população não é consciente:

“A população que não é consciente, que não sabe o que é morrer sem ar, tem que saber que ela pode morrer sem ar por falta de respiradores ou de médicos. Temos um excelente sistema de saúde, todos sabem disso. Estamos numa luta tremenda e vamos continuar lutando. Não tem nada vencido. O quadro vai piorar e pode subir. Nós nem cogitamos abertura nesta semana. Não temos a menor possibilidade de nenhuma abertura.”

O prefeito disse também que o órgão contratou 14 mil profissionais de saúde, sendo 825 durante a pandemia. Além disso, destacou que as 14 barreiras sanitárias instaladas na capital mineira foram capazes de detectar mais de 5 mil pessoas infectadas.

Análise dos números e leitos

Sobre o número de casos, mortes e leitos, Kalil ressaltou ao jornal Estados de Minas:

“Os cientistas já falaram que o momento é perigoso. Isso te garanto que não vou abrir. Agora, se vou fechar ou se vou manter o pouco (comércio) que abrimos é uma questão de números. Hoje, no final da tarde vou ter esses números, e isso vai possibilitar a decisão sobre o futuro de Belo Horizonte, que é a nave-mãe do estado.”

Mesmo que a região não tenha grande número de respiradores, o prefeito afirmou que a cidade desocupou leitos desde o começo do ano para atender os pacientes com coronavírus:

“O que aconteceu aqui foi que começamos a nos preparar em janeiro. Suspendemos todos as cirurgias não urgentes para desocupar os leitos. Não abrimos nenhum hospital de campanha, mas colocamos leitos equipados com respiradores. Temos nos preocupado com o material humano. Não sei se 90 mortes é muito, mas dentro do que estamos vendo é que os que morreram é porque a ciência luta contra a morte. Mas não morreram na fila ou precisando de atendimento.”

Fonte: Jornal Estado de Minas

*Foto: Divulgação/Alexandre Guzanshe