Maio registra queda nos pedidos de recuperação judicial

O índice de queda nos pedidos de recuperação judicial em maio deste ano foi de 8,7%, em relação ao mesmo período de 2019

A queda nos pedidos de recuperação judicial durante o mês de maio no Brasil marcou 8,7%, no comparativo à mesma época no ano passado, ocasião em que 103 empresas haviam entrado com solicitações. Já em relação a abril deste ano, o número de registros foi 120, o que demonstra uma retração de 21,7% nos pedidos durante a crise na economia.

Como se deu a queda nos pedidos de recuperação

Os índices foram baseados em dados do Indicador Serasa Experian de Falências e Recuperações Judiciais, que revelou que 94 empresas que entraram com pedidos de recuperação, em que 54 delas são micro e pequenas empresas. Já as empresas de médio porte foram 28 solicitações e as grandes, 12 requisições.

Luiz Rabi, economista do Serasa Experian, afirma que tais números ainda não refletem completamente os impactos do período de quarentena. Isso porque os processos com a finalidade de protocolar o pedido de recuperação judicial necessitam de prazos legais. Sendo assim, com a crise gerada pela pandemia de Covid-19, os credores e devedores têm buscado entrarem em acordo antes da data de execução das dívidas.

Sobre isso, o CEO e sócio da consultoria RK Partners, Ricardo K. diz que neste momento existe por parte do credores, de modo geral, o reconhecimento que trata-se de uma crise muito mais grave do que a de 2008.  

Porém, em caso de a instabilidade econômica permanecer no segundo semestre, poderá haver um aumento no volume de empresas em situação de insolvência.

Setor de comércio

Em contrapartida, em um mês dobrou o número de companhias ligadas ao comércio que solicitaram recuperação judicial. Só no mês de maio, estas empresas se destacaram como as que mais cresceram em termos de volume de requisições, totalizando 26 no período. Isso significa o dobro do verificado em abril. Já o ramo de serviços registrou 45 pedidos; a indústria 13 requisições, e o setor primário, 10.

Além disso, o indicador do Serasa ainda revela que no acumulado de janeiro, a maior deste ano, foram protocolados 471 pedidos de recuperação judicial. O número ficou bem perto dos 474 verificados em igual período de 2019. Em suma, isso representa uma leve retração de 0,6% no período.

Em relação aos registros de 2020, os micro e pequenos negócios encabeçam a lista de solicitações novamente, com 280 casos. Já as médias empresas correspondem a 127 pedidos e as grandes companhias somam 64 pedidos judiciais.

Empresas em falência

Além das recuperações judiciais no país, também tem havido pedidos de falências. No entanto, neste caso, houve uma queda de 50,9% no mês de maio, em comparação ao mesmo período do ano passado, baixando de 163 requisições para 80.

Em contrapartida, na variação mensal, sem ajuste sazonal, teve um aumento de 6,7% frente ao indicador de abril deste ano, que na ocasião registrou 75 pedidos de falência. Já no acumulado de janeiro a maio, o país contabilizou 395 pedidos de falências. O índice ficou abaixo dos 580 registrados nos cinco primeiros meses do ano passado. Por fim, os micro e pequenos empreendimentos lideraram o ranking de novo entre os pedidos de falências, com 49 solicitações, ante 25 das empresas de médio porte, e 20 das grandes empresas. Em relação a setores da economia, o setor de serviços encabeçou a lista 46 pedidos de falências e em segundo lugar aparece o segmento de comércio (21), e em terceiro vem a indústria (13).