Museu Afro Brasil abre 11 mostras em SP

O Museu Afro Brasil que também está comemorando 15 anos de funcionamento, também promoverá uma retrospectiva do artista paraibano João Câmara

Durante as comemorações de amanhã (20), no Dia da Consciência Negra, serão abertas ao público 11 novas exposições no Museu Afro Brasil, no parque do Ibirapuera. O número de mostras equivale ao total apresentado pela instituição no decorrer de 2018.

Museu Afro Brasil e Dia da Consciência Negra

Os motivos para as festividades do museu englobam, além do feriado de 20 de novembro, uma busca por mapear a influência da África da gênese da sociedade brasileira, além de ter completado recentemente 15 anos de existência, no dia 23 de outubro.

Para o fundador e diretor do Museu Afro Brasil, Emanoel Araujo, a quantidade de exposições diz respeito à consequência da expansão do complexo de 11 mil metros quadrados. E ressaltou que como o espaço não agregava atualmente nenhuma mostra coletiva, o prédio foi tomado por uma série de exposições individuais.

Retrospectiva João Câmara

A mostra atual integra aproximadamente 20 obras, exceto uma coleção de arte tribal, as pinturas do artista baiano Élvio Rocha, além de uma retrospectiva do pintor paraibano João Câmara.

Esta última marca a volta de Câmara a um museu paulista após 40 anos, conforme afirma Araujo, composta na forma de um conjunto de 51 pinturas e litografias, produzidas entre os anos 1960 e 1980. Outra mostra dele aberta em julho deste ano, reuniu obras mais recentes, no Museu do Estado de Pernambuco.

Trabalhos do pintor paraibano no Museu Afro Brasil

Por meio de suas telas, é possível presenciar cabeças sem corpo, pernas a mais, além de corpos deformados, mas que imprime um humor surrealista, que também expressa um tom político. É o caso do trabalho “Viável Disparate”, com a presença de um bebê que equilibra sobre sua cabeça a máscara de um general.

Ao ser questionado pelo jornal Folha de S. Paulo sobre a presença de um artista branco em meio às exposições do Museu Afro Brasil, Araujo é categórico e afirma: “branco ninguém é”.

No entanto, o curador também explica que mesmo que o museu leve o nome “Afro Brasil”, a instituição preza acima de tudo proporcionar um espaço dedicado à diversidade, onde “as pessoas possam ter uma visão ampla dos nossos tentáculos”. E conclui que o complexo artístico “também é de latinos, de africanos, de nordestinos.”

As outras exposições individuais

As outras dez mostras que foram abertas no Museu Afro Brasil, também são marcadas também pela diversidade. Ao entrar no complexo do Ibirapuera, o caminho é iniciado por meio de uma reflexão sobre a escravidão. É o que propõe a instalação de Araujo, que rememora os 150 anos do poema “O Navio Negreiro”, de Castro Alves, e de 12 litogravuras do alemão Johan Moritz Rugendas, datadas do século 19 e que foram recém-doadas ao museu.

Na sequência, o trajeto abrange as fotografias de Bispo do Rosário, feitas por Walter Firmo, em 1985 e pelas referências à arte primitivas dos beninenses Alphonse Yémadjè e Euloge Glélé.

Por fim, o caminho artístico do Museu Afro Brasil é encerrado pelas obras de três artistas contemporâneos: Anderson AC, Paulo Pereira e Rommulo Conceição.

Reascensão do museu

As diversas inaugurações de mostras surgem em meio a recente possibilidade de o Museu Afro Brasil encerrar suas atividades, em virtude de um contingenciamento em torno de 20% do orçamento da Secretaria Estadual de Cultura e Economia Criativa.

O fundador do museu afirma que este fator já foi renegociado. Porém, mesmo assim, oito trabalhadores foram desligados. Atualmente, a instituição afirma que estuda expandir novamente a equipe de colaboradores.

De acordo com Araujo, hoje o orçamento anual do Museu Afro Brasil é de quase R$ 9 milhões e pouco. No entanto, o complexo é maior do que o Masp e Pinacoteca, conclui.

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Divulgação