Museu Casa do Pontal se despede de sua sede

Despedida do Museu da Casa do Pontal é marcada por exposição e seguirá para o bairro da Barra da Tijuca (RJ)

O Museu Casa do Pontal segue aberto em sua atual sede no Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro, e vai até dia 8 de novembro. O motivo da reabertura do espaço que possui 44 anos de história será para promover ao público uma exposição de despedida. Após o encerramento da mostra, o museu vai se mudar para o bairro da Barra da Tijuca.

Museu Casa do Pontal

Referência em arte popular brasileira, o Museu Casa do Pontal possui o maior e mais expressivo acervo deste segmento no Brasil. Fechada desde o começo da pandemia, em março, a instituição conta com mais de nove mil obras, de 300 artistas populares brasileiros.

Conhecida como “permanente”, a exposição situada na sede do Pontal, no Recreio, ganha para a mostra de despedida o nome de “Até logo, até já”. Sendo assim, as quase duas mil obras que estão reunidas ali seguirão para o novo endereço depois do encerramento do evento.

Em relação às sete mil peças do acervo, guardadas atualmente na reserva técnica da instituição ou em itinerância, já passando a seguir para o novo espaço a partir deste mês.

Até chegar a este momento atual, o Museu Casa do Pontal passou por dez anos lutando para manter em segurança esta coleção única no país. Isso inclui deixá-lo longe das inundações, que desde 2020 ameaçam este patrimônio precioso.

Como será a exposição de despedida

Todavia, dividido por oito temas, o público que visitar a exposição do Museu Casa do Pontal poderá conferir na casa histórica, fundada em 1976, obras de grandes artistas. Entre os quais: Mestre Vitalino (1909-1963), Manuel Galdino (1929-1996), Zé Caboclo (1921-1973), e Luiz Antonio, do Alto do Moura e Caruaru, Pernambuco; Noemisa Batista (1947), Maria Assunção (1940-2002), e João Alves, do Vale do Jequitinhonha, Minas; Celestino (1952), e Nino (1920-2002), de Juazeiro do Norte, Ceará, no Cariri. Também será possível conferir a instalação cinética Escola de Samba, de Adalton Fernandes Lopes (1938-2005, Niterói). A obra conta com mais de 300 personagens em cerâmica que se movimentam ao ritmo do samba.

Além disso, estão presentes ainda na exposição criações dos mineiros: Antonio de Oliveira (1912-1996), e Dadinho (1931-2006), que viveu em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

Os trabalhos ocuparão os dois andares do museu e são acompanhadas de textos explicativos em português, inglês e francês, além de ampliações fotográficas com imagens dos artistas e de festas populares. Contudo, vale lembrar que tais obras foram produzidas desde o início dos anos 1940 até hoje. Elas representam o universo cultural brasileiro, com suas variadas culturas rurais e urbanas.

Medidas restritivas

O Museu Casa do Pontal segue as normas de distanciamento social em razão da pandemia. No entanto, não será necessário agendamento prévio. Porém, o uso de máscaras é obrigatório. Toda pessoa que entrar na casa histórica terá que medir a temperatura. Além disso, o espaço conta com tótens de álcool gel espalhados por todo percurso da exposição. Ainda haverá controle de visitantes na área interna.

Também há a possibilidade dos visitantes poderem desfrutar da párea externa, agrupados por núcleo familiar. Já a equipe de funcionários usará além de máscaras o protetor de rosto (face shield). Grupos prioritários terão atendimento especial.

Além dele, outros outros museus cariocas também encaram as novas normas de segurança em tempos de Covid-19.

Nova sede

Em cinco de negociações com a Prefeitura, o Museu Casa do Pontal conseguiu sua mudança para o espaço. Por meio de um estudo feito pela Coppe/UFRJ, foi revalado como motivo das constantes inundações da antiga sede os aterros para a construção de grandes condomínios na região. Sendo assim, em 2015, a Prefeitura cedeu um terreno na Barra da Tijuca por um período de 50 anos renováveis. O órgão também garantiu R$ 7,5 milhões (parte dos recursos de R$ 11 milhões necessários para a construção da nova sede). Enquanto o museu arcaria com os R$3,5 milhões restantes.

Já uma construtora em dívida com a Prefeitura seria a responsável por destinar à obra o valor referente à parte da administração municipal. Porém, em 2017, o trabalho foi interrompido. Com a paralisação da construção da nova sede, também foi interrompido os projetos do Museu Casa do Pontal.

Todavia, em abril de 2019, a instituição sofreu sua sexta e mais grave inundação. Em consequência, houve um grande volume de água barrenta que tomou os corredores do museu. Obras tiveram que ser retiradas às pressas.

Então, a direção decidiu assumir a finalização da obra por meio de uma campanha de financiamento coletivo. A mobilização permitiu a mudança para a nova sede.

Ao longo de seus 44 anos de existência, a casa histórica recebeu depoimentos de grandes artistas, pensadores, colecionadores, dirigentes de instituições culturais e empresários. Entre os quais: José Saramago, Gilberto Gil, Edgar Morin, Marieta Severo, Bia Lessa, Paulo de Barros, Otto, Osgêmeos, Emanoel Araújo e Danilo Miranda.

A nova sede do Museu Casa do Pontal será inaugurada apenas no segundo trimestre de 2021. Mas com marcada por uma exposição de longa permanência.

*Foto: Divulgação