Novos olhares sobre o modernismo: confira mostras na Casa Roberto Marinho e CCBB-RJ

Novos olhares sobre o modernismo com a proximidade da Semana de 22, no ano que vem, relembram esta importante época da arte brasileira

Em 2022, serão celebrados os 100 anos de um dos maiores eventos e, ao mesmo tempo, incompreendidos da arte brasileira: a Semana de 22. O evento original ocorreu no Theatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922.

Novos olhares sobre o modernismo

Nos próximos dias, duas instituições de arte e cultura cariocas destacarão os novos olhares sobre o modernismo brasileiro, décadas depois da Semana de Arte Moderna.

No último sábado (28), a Casa Roberto Marinho, cuja coleção é referência no modernismo brasileiro, inaugurou a exposição “Acervo”, com 22 obras ocupando o térreo do casarão. Nesta mostra, serão focadas a produção dos anos 1930 e 1940, de nomes como Guignard, Portinari e Di Cavalcanti.

E amanhã (1º), será inaugurada no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) a coletiva “Brasilidade pós-modernismo”. Esta exposição abordará os ecos do movimento na produção contemporânea, com obras de 51 artistas. Entre eles: Anna Bella Geiger, Cildo Meireles, Tunga, Adriana Varejão, Ge Viana, Barrão e Rosana Paulino.

Mostra “Acervo”

Com curadoria de Lauro Cavalcanti, diretor da Casa Roberto Marinho, “Acervo” fica em cartaz por um curto período, até 19 de setembro. O curador explica:

“O acervo da Casa nos permite fazer várias abordagens sobre o modernismo, até o ano que vem. Na mostra, trazemos desde Di Cavalcanti e Anita Malfati, que participaram da Semana de 22, até sua influência nas décadas seguintes.”

Ele também acrescentou sobre os artistas da época de 22:

“É interessante ver trabalhos do Di e do Portinari, que buscavam uma identidade nacional e rejeitavam o abstrato como um estrangeirismo, ao lado das abstrações de Manabu Mabe e Antonio Bandeira, que trazem uma brasilidade forte.”

Mostra no CCBB-RJ

Já na mostra do CCBB-RJ, a proposta é uma revisão do modernismo, trazendo vozes que ficaram de fora do movimento original, como negros e indígenas. A curadoria é assinada por Tereza de Arruda.

“São grupos que historicamente foram representados por outros, e agora não precisam mais de interlocutores para falar de si.”

Ela diz ainda que a exposição “não parte de um eixo histórico ligado à Semana”. A maior parte das obras “é de artistas que iniciaram sua produção nos anos 1960”.

Além disso, a mostra foi organizada em seis núcleos temáticos, como: Liberdade, Identidade e Poesia. A exposição iniciou sua pesquisa em 2018, prevendo a montagem em 2022. Porém, foi possível antecipar a data no CCBB carioca, em sintonia com os recentes debates sobre os novos olhares do modernismo.

A curadora também explica sobre os outros movimentos que estavam acontecendo naquela época:

“Olhamos para a Semana de 22 como um catalizador de outros movimentos que estavam acontecendo, que foram acelerados por este evento. É importante lembrar que 1922 marcava o centenário da Independência, um período de busca pela identidade que se desejava para o país. Algo semelhante ao que vemos acontecer agora.”

Serviço

“Acervo”

Onde: Casa Roberto Marinho. Rua Cosme Velho 1.105 (3298-9449). Quando: Ter a dom, das 12h às 18h. Abertura 28/8. Até 19/9. Quanto: R$ 10 Classificação: Livre.

“Brasilidade pós-modernismo”

Onde: CCBB. Rua Primeiro de Março 66, Centro (3808-2020). Quando: Qua a seg, das 9h às 19h (dom a qua) e das 9h às 20h (qui a sáb). Abertura 1/9. Até 22/11 (agendamento: eventim.com.br). Quanto: Grátis. Classificação: Livre.

*Foto: Divulgação