O comércio não essencial deve reabrir?

Esta é uma dúvida que tem perdurado em muitos municípios sobre quando é a hora certa de reabrir o comércio não essencial por conta do período de isolamento a fim de evitar o avanço do novo coronavírus

Por conta de todo o Brasil estar em quarentena com a finalidade de brecar o avanço do novo coronavírus, alguns estados e municípios ficam em dúvida se devem ou não reabrir o comércio não essencial, o que acaba alterando o cotidiano da população.

É o caso de Belo Horizonte, em Minas Gerais. Esta questão tem dividido a opinião da Câmara de Dirigente Lojistas (CDL-BH) e o Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH). As divergências giram em torno da forma como o comércio deve ser reaberto, além de sua manutenção da ordem de fechamento, na capital mineira. Em meio à pandemia, os comerciantes têm recebido orientações diferentes.

Divergência de abertura do comércio não essencial

De um lado, a CDL orienta o funcionamento com restrições. Por outro lado, o Sindilojas recomenda os comerciantes a se manterem em quarentena, ou seja, com as portas fechadas.

As opiniões diferentes aconteceram depois do decreto publicado pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) que, a partir de hoje (7), alterou as determinações para o funcionamento do comércio não essencial de rua da cidade. Segundo consta no texto assinado pelo prefeito Alexandre Kalil, os estabelecimentos autorizados a funcionar estão proibidos de atender clientes no interior das lojas:

“As vendas deverão ser feitas exclusivamente no exterior do local, com a organização de filas com distância mínima de 1 metro entre as pessoas.”

Com isso, a CDL-BH seguiu as recomendações do decreto e divulgou uma nota que diz que “continua autorizado o funcionamento das lojas de rua no município, desde que respeitadas as determinações” da prefeitura.

Em contrapartida, o presidente do Sindilojas-BH recomenda que as lojas permaneçam de portas fechadas até segunda ordem. Na opinião de Nadim Donato, apenas algumas companhias específicas deveriam seguir funcionando por necessidade comercial. É o caso das óticas e nesta semana Santa e de Pácoa, as lojas de chocolates. Donato ressaltou também:

“Ontem – nessa segunda-feira – o Sindilojas liberou o laboro na Grande BH. Fizemos isso, porque algumas empresas, como as óticas, que têm a questão da saúde, como as lojas de chocolate, que têm essa semana para fazer as vendas, e alguns outros nos pediram.”

Manutenção das lojas fechadas

Donato ainda deixou claro que a regra deve ser manutenção das lojas fechadas, sem reabertura do comércio não essencial e pediu paciência e entendimento a comerciantes e clientes neste período delicado:

“Diferentemente da CDL, que vem falando para abrir as lojas, o Sindilojas pede: ‘Não é momento da abertura das lojas, ainda’. Estamos fazendo um projeto grande com a prefeitura, com o estado, para reativarmos os negócios em Belo Horizonte.”

E finalizou:

“Precisamos contar com seu apoio e sua compreensão. Sei que o momento é delicado, a saúde financeira das nossas empresas, a minha, os meus funcionários, todos nós juntos estamos passando por um momento muito delicado. Mas temos que ter a consciência de que não podemos reabrir e ativar ou piorar a questão da saúde na nossa cidade. Por favor lojistas, vamos aguardar. Estamos trabalhando para uma reabertura forte. Todos unidos para essa reabertura. Vamos ter coragem e, juntos, conseguiremos passar por tudo isso.”

Alterações e manutenções no comércio essencial

No caso de supermercados, sacolões, mercearias, hortifrutis, armazéns padarias, açougues e postos de combustível, o funcionamento não foi alterado pelo decreto. Portanto, continuam a atender os clientes no interior dos estabelecimentos.

Já as casas loterias e agências bancárias continuam com atendimento interno. Mas com controle de acesso a fim de evitar aglomerações nas áreas internas e externas, além de organizar filas gerenciadas pelas instituições em área externa com distanciamento mínimo de um metro.

Óbitos em Minas Gerais

O número de mortes decorrentes do novo coronavírus subiu para 11 em Minas Gerais, segundo afirma a Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Nesta terça-feira foi divulgado um boletim epidemiológico, afirmando que são 49.652 casos em fase de investigação e 559 confirmados.

Além disso, o estado mineiro possui 100 óbitos em investigação, uma redução de 19 mortes suspeitas em relação ao boletim epidemiológico divulgado ontem (6).

Fonte: jornal Estado de Minas

*Foto: Divulgação /Gladyton Rorigues/EM/D.A Press