Realidade virtual possibilita “viajar” durante isolamento social

Tecnologia de realidade virtual movimenta setor de viagens, no entanto, alto investimento pode ser empecilho para as empresas

Com as viagens canceladas ou adiadas em função da pandemia do novo coronavírus, muitos turistas estão em isolamento social, dentro de suas casas. No entanto, empresas de turismo podem aproveitar esta oportunidade para oferecerem a seus clientes uma viagem diferente por meio da realidade virtual. Com isso, passear pelos lugares onde havia escolhido para conhecer agora pode ser feito por meio desta tecnologia.

Realidade virtual durante o período de isolamento social

A realidade virtual possui diversas finalidades, por meio de vídeos e jogos com imagens em 360º, que possibilita ao espectador visualizar qualquer direção e ter a sensação de como se estivesse de verdade dentro daquela cena.

O consumidor brasileiro já pode ter acesso a algumas opções de conteúdo desta tecnologia. Porém, para ter acesso a experiência completa é necessário utilizar um óculos especial. A versão mais simples custa R$ 30, e pode ser encontrada em lojas de equipamentos eletrônicos. Além disso, também é preciso ter ao menos nível de inglês básico, pois a maioria das plataformas está neste idioma.

Aplicativos

O aplicativo Travel World dispõe de vídeos em 360º, que posem ser vistos com ou sem óculos específicos. No site da empresa tem amostras que podem ser assistidas pelo Youtube, como um tour de ônibus de dois andares em Londres e de um mergulho pela Grande Barreira de Corais, na Austrália. Sendo assim, caso sua viagem fosse para um desses locais já é possível conhecer um pouquinho de seus encantos.

O Google também possui ferramenta de realidade virtual, o Google Earth VR, que funciona com óculos (HTC Vive ou Oculus Rift).

O aplicativo Sygic Travel VR, para celulares com sistema Android, conta com vídeos que simulam passeios por cidades do mundo. Eles podem ser vistos com ou sem os óculos especiais, como o Google Cardboard. Os vídeos são narrados em inglês, sem legendas.

E também existe o app Chile 360º, com vídeos e cenas de paisagens deste país, entre os quais: deserto do Atacama e a Patagônia. A utilização de óculos é opcional e está disponível para os sistemas Android e iOS e ainda pode ser configurado por o idioma português.

Setor de realidade virtual cresce no turismo

Em um movimento crescente nos últimos anos, a utilização de realidade virtual no turismo, visa uma espécie de pré-visita aos locais por onde viajante passará pessoalmente. Na prática, o turista pode sentir como é estar dentro um hotel, em vez de ver fotos do local e contemplar o visual que o espera em breve.

Empresas de cruzeiros, grandes redes hoteleiras e destinos turísticos estão investindo na tecnologia com o intuito de promover uma experiência de viagem mais completa e que desperte o desejo nos consumidores.

Serviço disponível no Brasil

Por aqui, a agência R11 Travel, que é distribuidora da Royal Caribbean no Brasil, inaugurou há sete meses em São Paulo a primeira sala de realidade virtual dedicada ao turismo da América Latina. No local, com a ajuda de óculos especiais, é possível conhecer o interior de navios e até experimentar um passeio de stand-up paddle sobre um mar cristalino.

O uso desse recurso deve virar tendência no segmento de turismo nos próximos anos. Porém, o alto custo em investimentos ainda é uma dificuldade enfrentada pelas empresas e destinos menores, como afirma Trícia Neves, Trícia Neves, sócia-diretora da consultoria Mapie, especializada em turismo. Ela cita, como exemplo, investimentos com segurança de dados e automação de processos internos.

Com a pandemia do coronavírus, a realidade virtual apareceu como uma alternativa para amenizar o estresse causado pelo isolamento social. No entanto, isso não quer dizer que seja uma solução para a crise que o setor turístico tem enfrentado, revela a professora de turismo da USP (Universidade de São Paulo), Mariana Aldrigui:

“Quero crer que vão sair na frente as empresas que conseguirem, primeiro, entender como vão lidar com a crise e, depois, se prepararem para fazer promoção, usando recursos pelo celular ou campanhas de acesso remoto para convidar os potenciais clientes a visitá-los. Mas eu não faria uma relação imediata.”

Ela ressalta que quando a restrição à circulação pelas ruas terminar, outros fatores virão à tona, como: disponibilidade de recursos e incertezas ligadas à Covid-19:

“Ninguém sabe para onde será seguro ir num primeiro momento.”

Portanto, para ela, mesmo que a realidade virtual continue a crescer, jamais irá substituir a viagem tradicional:

“O ato de viajar envolve uma experiência mais abrangente. Com a realidade virtual você é capaz de ver algo, mas não de sentir, de experimentar de verdade, porque você está na sua cadeira.”

Fonte: Folha de S. Paulo

*Foto: Divulgação