Rede de livrarias fecha metade de suas lojas em shoppings de São Paulo

Rede de livrarias do Grupo Cultura encerrou também operações em cidades como Campinas, Ribeirão Preto e Brasília

A Livraria Cultura vem de uma crise em suas operações de antes da pandemia e com a crise na economia por causa da pandemia, a situação da rede de livrarias complicou mais ainda. Recentemente, a empresa fechou três de suas unidades na cidade de São Paulo. Além disso, ela também encerrou as atividades em quatro outras cidades, entre elas: Campinas, Ribeirão Preto e Brasília.

Rede de livrarias encerra atividades em São Paulo

Na cidade de São Paulo, a Livraria Cultura encerrou suas operações nos shoppings Villa-Lobos e Bourbon. Ou seja, um de seus principais cartões de visita na capital paulista. Já no Paraná, a única livraria da rede no shopping Curitiba também foi fechada.

No caso de São Paulo, o fechamento de algumas operações significa encerrar metade das unidades que a rede de livrarias ainda possuía dentro dos shoppings. No entanto, continuarão abertas as lojas do Iguatemi e do Market Place (atualmente em reformas), e mais famosas delas, a do Conjunto Nacional.

Nota da empresa

Em nota, a livraria afirma:

“Desde março de 2020, devido a todas as restrições impostas pela crise da Covid-19, iniciamos negociações com todos os nossos locadores para que tivéssemos condições comerciais adequadas à nova realidade e pudéssemos manter nossas lojas de maneira sustentável.”

E ainda concluiu:

“Apesar dos esforços de todos os lados, o prolongamento da crise e a falta de previsibilidade nos fez tomar a decisão.”

Em crise desde 2016

Desde 2016, a rede de livrarias vem enfrentando uma série de crises financeiras. Consequentemente, o fato preocupou o mercado editorial. Já em 2018, depois de atrasos de pagamento a editores, a livraria entrou com pedido de recuperação judicial.

No entanto, em 2020, a pandemia afetou ainda mais as operações da rede literária. E em setembro, parte dos credores rejeitou mudanças no plano de recuperação judicial da empresa, o que fez o juiz responsável pelo caso decidir sobre a falência da empresa, que ainda segue à espreita.

Contudo, a nota da empresa ainda afirma que a pandemia de Covid-19 e vendas online “trazem desafios adicionais para o modelo tradicional das livrarias a médio e longo prazo”.

E encerrou:

“Parte importante do faturamento das lojas vinha de eventos, noites de autógrafos, atividades culturais, gastronômicas e obviamente de contato social. Infelizmente, não acreditamos que tais atividades voltarão com força ainda em 2021.”

Lucro

Além disso, a nota da Cultura também se refere ao plano da rede de livrarias de querer voltar a ter lucro em 2021. Com isso, será possível sair do processo de recuperação judicial, além de poder revisar o funcionamento das lojas e serviços físicos. Mas priorizando aqueles que trazem retorno a curto prazo. Para isso, a rede promete lançar novos projetos em março e aumentar a integração dos meios digitais.

Concorrentes

Além da Livraria Cultura, a rede Saraiva também enfrenta há anos uma série de crises e um processo de recuperação judicial. Um exemplo é que entre janeiro e novembro do ano passado, a empresa fechou metade das 72 lojas que possuía no início de 2020.

*Foto: Divulgação