Vale da Câmara de Campinas é mais caro que de SP e Congresso

Vale atual dos parlamentares de Campinas é de R$ 1,4 mil, que ultrapassa a quantia de SP e Congresso, além do benefício pago a executivos da iniciativa privada

O vale-refeição/alimentação dos funcionários da Câmara de Campinas, no interior paulista é maior do que o pago nos legislativos de São Paulo, de Guarulhos e até do Congresso Nacional. O benefício atual é de R$ 1,4 mil e também supera o vale pago a executivos da iniciativa privada do município.

Vale mais caro

Como justificativa, a Mesa Diretora da Câmara afirma que a intenção é fazer “uma revisão anual concedida aos funcionários, concursados ou comissionados, para repor a perda verificada no poder aquisitivo”.

Entretanto, em setembro de 2019, a Câmara já tinha reajustado o vale-refeição dos servidores em 7,6%, e ainda estendeu o pagamento do benefício aos comissionados. Na ocasião, os vereadores aprovaram também a diminuição da jornada de trabalho de 40 para 35 horas semanais.

IGP-M

Na tarde do dia 25 de fevereiro, a Câmara aprovou em sessão-relâmpago o reajuste de mais 2%, totalizando 9,6% no vale-alimentação/refeição. A inflação de setembro a janeiro medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) é de 2,94%. O índice é normalmente utilizado nas negociações de reposição salarial. 

Porém, a Câmara utiliza o IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) como base de reajuste de salário e o vale dos servidores. O índice é geralmente aplicado para estabelecer valores de aluguel de imóveis.

Com isso, o novo valor para almoço é maior do que é pago em câmaras maiores do Estado. É o caso de Guarulhos, que tem porte parecido com Campinas (1,3 milhão de habitantes), paga R$ 621,08 de vale aos vereadores de sua Câmara e desconta R$ 12,42 na folha de pagamento.

Já em São Paulo, o custo por dia é de R$ 50, uma média de R$ 1.100 por mês. No caso dos servidores e comissionados do Congresso Nacional em Brasília, o valor é de R$ 982,29. Todos os dados forram passados pelas assessorias de imprensa dos respectivos órgãos.

Setor privado

A Sodexo, uma das maiores companhias de cartões-refeição, realizou uma pesquisa de preço das refeições em Campinas no horário do almoço e chegou à média de R$ 37,81. Os preços variam de R$ 29,39 (prato comercial) e R$ 69,30 (à la carte).

Em média, as empresas pagam R$ 831,82 mensais por dia trabalhado. Portanto, o valor pago aos trabalhadores da Câmara é 68% maior.

Votação para reajuste do vale-alimentação/refeição

Na sessão, apenas dois vereadores cotaram contra o reajuste, Marcelo Silva (PSD) e Nelson Hossri (Podemos). Já o Tenente Santini (PSD) se absteve porque sua mulher é servidora de carreira do Legislativo e seu posicionamento no caso configuraria conflito de interesses. Ele declarou:

“Eu fiz uma média do valor da refeição de Campinas e cheguei à conclusão que o valor de R$ 400 por mês atenderia de forma bem razoável o servidor. Esse valor é um abuso.”

Ele ainda explicou que o orçamento atual de R$ 147,6 milhões ultrapassa o de muitas cidades do estado e que em vista da crise econômica do país não seria o momento adequado para o aumento do salário.

O outro lado da história

Segundo a assessoria da Presidência da Câmara, hoje ocupada pelo vereador Marcos Bernardelli (PSDB), alegou que “a recomposição salarial dos servidores por índice inflacionário é determinada pela legislação federal” e que “a negociação do índice com o Sindicato da Categoria possibilitou uma economia de quase R$ 3 milhões em relação ao índice inflacionário apurado no período”.

A Câmara também revela que o impacto gerado com o reajuste de 2% considerados os aumentos de salário, realinhamento dos técnicos, benefícios, contribuição previdenciária e vales-alimentação e refeição será de R$ 2.260.926,18 no orçamento anual atual:

“Se fosse aplicado o do índice real apurado pelo IGP-M, o ajuste seria de 7,8% e o impacto seria de R$ 5.218.960.”

Fonte: ACidade On

*Foto: Divulgação / Câmara